13/05/2012

Procrastinação parte 3

Retorno hoje neste domingão preguiçoso, procrastinando mais uma vez para os leitores do blog. Como não podia ser diferente, tenho trabalhos atrasados e não estou afim de fazê-los. Hoje vamos tentar entender um pouco melhor essa "falta de vontade" e em quê isso implica pro nosso assunto aqui.

Estou tomando como certo que você que está lendo acompanhou a série, especialmente o post passado, se não, aqui vão os links para a parte 1parte 2.

Lembrando que na parte dois desta série eu falei um pouco sobre o tipo de coisas que nós analisamos: os antecedentes, as respostas e as consequências. Hoje, vou me centrar um pouco mais nas últimas.

Pense nestes casos: 

Caso 1) você está estudando para uma matéria legal, anota tudo na aula, lê todos os textos, discute com seus colegas e aproveita bastante tudo o que você pode; quando chega na prova você se dá muito bem, tira notas altas, é reconhecido pelo seu esforço e tal. Isso acontecer torna muito provável que você volte a estudar assim caso uma oportunidade similar apareça, tipo outra matéria com o mesmo professor ou o mesmo assunto.

Caso 2) você está em uma disciplina cujo professor tem a reputação de ser terrível na correção das provas. Então você estuda loucamente, faz todos os exercícios e trabalhos, cola na prova, e passa na disciplina. Em outra matéria com o professor carrasco é possível que você repita, certo?

Caso 3) imagine que você está em uma aula chata pra chuchu, que nem é tão difícil. Portanto, nem liga muito pra estudar e usa seu tempo para melhorar o desempenho nas matérias difíceis. Deixando tudo pra última hora, você não consegue se atualizar direito quanto ao conteúdo das aulas e se dá mal na prova. É provável agora que você pare de subestimar o professor e mude a estratégia para a próxima oportunidade.

Eu sei que parece um pouco óbvio o que eu vou dizer agora, mas... Repararam como as consequências das coisas que fazemos modificam a chance de você repetí-las ou não no futuro? Consequências que aumentam essa probabilidade e a frequência da coisa que você fez são chamadas de reforço, e as que diminuem, punição. Os termos são horríveis, eu sei, mas não fui eu quem os criou. Além disso, é possível que você já os tenha ouvido por aí; mas tome cuidado, porque o uso que o senso comum faz é meio diferente do que devemos fazer.

Não quero extender muito mais o texto, mas para terminar preciso ainda diferenciar mais uma coisa. O reforço torna mais provável que você volte a emitir respostas parecidas frente a contexto parecidos com aqueles onde o reforço aconteceu. Só que é bastante diferente o caso 1 e o 2. Em ambos houve reforço, mas por motivos diferentes: em um deles, ir bem na matéria era algo desejado, como se fosse uma "recompensa" (este termo é tão ruim quanto os outros), no caso 2, "evitar a reprovação" é o que reforça as respostas de estudo. O caso 3 é uma situação de punição (dá para tirar várias outras informações, mas não vem ao caso agora) meio mal contada.

Fechando aqui, vamos voltar ao começo do texto, onde eu falei da falta de vontade de fazer meus trabalhos. A maioria das coisas que eu tenho atualmente para fazer se enquadram um pouco no caso 2; como veremos com mais detalhes em outras partes da série, fazer as coisas para evitar problemas não é a coisa mais prazeirosa do mundo (tá, eu sei que é óbvio).

No próximo post falarei mais sobre consequências e a forma como elas acontecem nas nossas vidas.

2 comentários:

  1. Essa série tá ficando muito legal! Mas sobre o caso 3, se eu tirar a média, não vou me esforçar nem um pingo a mais, não entendi mt bem se vc quis dizer ir mal na média ou abaixo dela!

    Bjs
    Mari

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    1. É, eu descrevi meio toscamente o caso de punição porque é melhor fazer todo um post dedicado ao controle aversivo. No próximo eu vou falar um pouco e também de esquemas concorrentes...

      Mas respondendo ao que você disse, ir "mal" seria abaixo da média. De fato, se fosse acima, não seria "ir mal". =P

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