19/05/2012

Aprendizagem de Alternativas e Paciência

Para chegar a este post eu precisei da ajuda do meu gato Spinel. Ele é muito brincalhão e curioso (pelo menos por enquanto, já que tem 8 meses de idade) e adora todo o tipo de frutas que vocês puderem imaginar. Em geral eu não o deixo comer coisas aleatórias que as pessoas dão, mas de vez em quando, se eu sei que não faz mal, eu dou alguma coisa diferente pra ele. Ele adora mel, caqui, melão e arrisca algumas outras frutas.

Cara atual do meliante.
8 meses de idade
Num final-de-semana recente, as pessoas da casa estavam almoçando, algumas no sofá, algumas na mesa. O gatão curioso foi ver o que as pessoas do sofá estavam comendo. Ele, felizmente não fica miando para "pedir". Ele só fica perto, cheirando de longe. Meio de longe fiquei observando (eu não estava comendo) enquanto uma das pessoas se levantou, foi até a cozinha, e pegou do seu prato um pedaço de algum dos seus alimentos para oferecer ao bichano. Eu, prontamente disse "Opa, não, não... Não dê."

E o que aconteceu? Ele miou.

Isso pode parecer bobo, mas é aí que entra o post propriamente dito.

Este gato tem uma história de vida que o levou a esse miado. É sobre isso que vou escrever hoje. Mais uma historinha:

O Spinel foi encontrado em uma noite fria e chuvosa, faminto o coitado. Olhos recém-abertos (então devia ter uma semana de idade, possivelmente), todo acabadinho. Ele estava miando muito, muito alto, "desesperado". Foi acolhido e tratado (virei mamãe em tempo integral por uma semana). Ele miava bastante para tudo, para tomar a mamadeira dele principalmente.

Spinel, o gato
Assim era o pilantrinha (2º dia comigo).
Foto ruim e mamadeira ao fundo.
Como eu ia ter de voltar para a rotina normal, tive de ensiná-lo a se virar sozinho, prendi a mamadeira dele num lugar específico e deixava de um jeito em que ele conseguisse beber quando quisesse; saía e a deixava cheia, e voltava correndo pra casa para cuidar dele. Felizmente ele começou a comer comidas mais sólidas com alguma rapidez.

Aí entra um ponto legal. Ele "adora" aqueles pedacinhos de carne ao molho para animais. E ele miava loucamente quando sentia o cheiro daquilo. E gente, não sei o quanto de experiências vocês tem com bichos (ou com pessoas "pidonas"), mas uma hora aquilo cansa. A questão é que não adianta ficar com raiva; muita gente bate e grita com os animais para que fiquem quietos. O problema é que punição só ensina o que não deve ser feito; não ensina uma alternativa.

Aqui, com 1 mês e meio de idade.
Depois de aprender a pedir, dormir de barriguinha cheia!
Pensei "não sei um pouquinho de análise do comportamento à toa; mãos à obra!" e lá fui eu modelar um comportamento alternativo para o comportamento de "pedir" do Spinel. Como ele era novinho, foi bem fácil: eu peguei um pratinho e coloquei alguns pedacinhos das carnezinhas que ele tanto gostava, ajoelhei no chão e segurei o prato de modo que o gato teria de subir na minha coxa para conseguir tocá-lo com o focinho, mas não alcançá-lo. Se ele subisse na minha coxa miando, eu o pegava e colocava longe; se ele subisse sem miar, ganhava a comidinha. Fiz isso por 5 minutos, uns três dias seguidos. Ele aprendeu maravilhosamente bem.

Like a boss na estante. (4 meses de idade)
E a partir disso ele nunca mais precisou miar para conseguir o que ele queria. Era só ele chegar perto do que "queria" que, se pudesse comer aquilo e tivesse alguém perto para dar, ganharia. Senão não ganharia não importa como fosse.

Essa história mostra o poder da paciência e do fornecimento de alternativas. Eu podia simplesmente ignorar o miar do gato, podia bater nele, mas de que adiantaria? Ensinar a ele outra forma de "chegar ao seu objetivo" deu a ele a chance de conseguir aquilo que o fazia bem sem que ninguém reclamasse/brigasse com ele.

Nas nossas vidas a coisa é às vezes parecida. Batemos com a cabeça contra a parede infinitas vezes, tentando da mesma forma, tentando cada vez com mais força chegar a um objetivo, miando e miando, tudo isso porque talvez, um dia miar tanto deu certo.

Quanto mais formas alternativas tivermos em nosso repertório, melhor será nossa ação no mundo. Pra isso, saber ponderar e avaliar as situações é fundamental. Se conhecer é fundamental. Ter paciência para esperar a mudança, tanto de si quanto do outro é o segundo requisito. Se eu não tivesse sido paciente com o meu filhote, talvez fosse pra sempre alguém incomodado por ele. Sofreríamos ambos por isso.

Tem uma frase no Zen, acho, e que não vou saber reproduzir perfeitamente, mas é algo assim:

"Ao vento um galho verde dobra e um velho e seco parte-se."

Devemos ser como galhos verdes conosco e com os outros, para que em tempos de ventania, continuemos inteiros.









Com foto BONUS do Spinel (tá, eu sei que sou um "dono" bobo):





" - Sorri pra câmera, Spi!
- Meow?"

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